
Você não precisa ser um especialista em autoconhecimento para perceber que a maneira como você se relaciona com as pessoas impacta significativamente os resultados que deseja alcançar. Atualmente, é comum afirmar que aqueles que ocupam cargos de liderança não estão ali apenas para comandar, mas para servir, e eu concordo plenamente com essa ideia.
Entretanto, gostaria de discutir esse conceito mais a fundo: se esse princípio de servir é eficaz em um ambiente corporativo, por que não aplicá-lo nas outras áreas de nossa vida? Ao abordar essa questão , é fundamental estabelecer limites e garantir que haja uma troca mútua; caso contrário, corremos o risco de nos tornarmos serviçais de pessoas que não compreendem a dinâmica de colaboração.
Para ilustrar essa ideia, compartilho um exemplo prático. Em uma das empresas em que trabalhei, havia uma colaboradora de outra área que era frequentemente rotulada como difícil, uma pessoa que não se mostrava disposta a ajudar. Eu mesma ouvi várias reclamações sobre a rudeza com que ela rejeitava solicitações de colegas. No entanto, curiosamente, sempre que eu a procurava, ela se mostrava extremamente solícita. Isso se devia ao fato de que sempre a tratei com respeito e cordialidade, deixando claro o quanto sua assistência era valiosa para o meu trabalho. Eu a ganhei como aliada porque nunca a enxerguei como uma pessoa difícil; ao contrário, sempre a aproximei, ressaltando a importância de sua função para o meu sucesso. Além disso, eu me preocupava em perguntar sobre seu bem-estar, sua família, e dedicava alguns minutos do meu tempo para ouvi-la. O ato de servir também se manifesta em atender às necessidades do outro.
Essa mesma abordagem pode ser aplicada nas relações com nossos pais, parceiros e amigos. Uma amiga de longa data, por exemplo, costumava desdenhar das opiniões alheias, sempre desejando ter a última palavra, como se essa fosse a prova de sua sabedoria. Isso gerava constantes embates e discussões acaloradas. Contudo, ao perceber isso, decidi que ela poderia ter a última palavra, e ainda assim concordar comigo! Assim, mudei a estratégia: primeiro, eu buscava entender sua perspectiva e, quando minha opinião divergida surgia, procurava levá-la a refletir de uma maneira que a incentivasse a considerar ideias que eu queria que ela tivesse.
Pode parecer confuso, mas é mais simples do que parece! Imagine que estamos planejando uma viagem e ela define as paradas. Eu, por outro lado, sinto que algumas dessas paradas deixariam de lado vistas deslumbrantes que merecem ser fotografadas. Minha abordagem seria: “Esse roteiro está ótimo, realmente, vamos economizar tempo e teremos pausas para descansar, perfeito! Mas que tal fotografarmos aquelas duas paradas com vistas incríveis? Tenho certeza de que essas fotos serão inesquecíveis.” Assim, ela recordaria as paisagens e, após refletir, poderia responder: “Sabe, pensando bem, acho que seria importante pararmos para capturar aquelas vistas incríveis e registrar esses momentos!”
Portanto, temos a opção de criar conflitos e tentar impor nossas opiniões a todo custo, ou podemos nos abrir a novas possibilidades, servindo as pessoas com o que elas realmente precisam, sem abrir mão de nossas próprias necessidades. Essa não é uma tarefa fácil, mas, uma vez que compreendemos essa dinâmica, os desafios tendem a se tornar menos desgastantes.
Além disso, essa abordagem não se limita apenas a resolver conflitos ou melhorar relações. Ela também é um caminho poderoso para fomentar um ambiente de colaboração e inovação. Quando escolhemos servir e apoiar os outros, criamos um espaço seguro onde as pessoas se sentem valorizadas e ouvidas. Isso, por sua vez, estimula a criatividade e a disposição para compartilhar ideias, gerando um círculo virtuoso de colaboração.
Por exemplo, em um time de trabalho, se todos adotarem a mentalidade de servir, a comunicação se torna mais aberta e sincera. Em vez de temer críticas, os colaboradores se sentem encorajados a expressar suas opiniões e a propor soluções. Essa troca mútua não apenas enriquece o resultado final, mas também fortalece os laços entre os membros da equipe, promovendo um senso de pertencimento e propósito.
Além disso, ao adotarmos essa mentalidade nas relações pessoais, conseguimos construir conexões mais profundas. Quando nos dedicamos a servir, estamos, na verdade, investindo em um relacionamento que pode se tornar mais significativo e gratificante. Não se trata de ignorar nossas necessidades, mas de encontrar um equilíbrio entre dar e receber.
É importante lembrar que servir não significa sacrificar nossos próprios interesses. Em vez disso, trata-se de reconhecer o valor que podemos trazer para a vida dos outros e, ao mesmo tempo, buscar o que é melhor para nós. Essa troca equilibrada pode transformar não apenas nossas interações, mas também a maneira como vemos o mundo ao nosso redor.
Portanto, ao refletirmos sobre a importância de servir, somos convidados a nos tornarmos agentes de mudança em nossas relações. Ao cultivarmos uma mentalidade de colaboração e respeito, não apenas melhoramos nossas próprias experiências, mas também contribuímos para um ambiente mais harmonioso e produtivo. Essa é uma prática que, se adotada por todos, pode levar a um impacto positivo em larga escala, tanto em nossas vidas pessoais quanto profissionais. É um convite à reflexão e à ação, para que possamos nos tornar não apenas líderes, mas verdadeiros servidores do bem-estar coletivo.
